Otelo e Desdémona (1880) - António Muñoz Degraín
Otelo e Desdémona (1880) - António Muñoz Degraín

Atrium

Entrada Livre

Otelo e Desdémona

Nos palcos da paixão

2020-08
Curadoria: Maria de Aires Silveira
Com curadoria de Maria de Aires Silveira e em colaboração com o Museu Nacional do Teatro e da Dança, a exposição Otelo e Desdémona. Nos palcos da paixão receberá os visitantes logo à entrada, no espaço do Átrio do MNAC. Como salienta Maria de Aires Silveira, “Esta pintura é uma das melhores obras do acervo do Museu Nacional de Arte Contemporânea e acompanha a sua história. Em finais do século XIX, precisamente em 1881, numa altura de grande aproximação cultural com Espanha, o 2º Visconde Soares Franco adquire esta obra, uma das mais significativas do autor, e faz a sua doação ao Estado, à Academia Real de Belas-Artes de Lisboa. Em 1912, um ano após a fundação do MNAC, a pintura integra a sua coleção, após a divisão do Museu Nacional de Belas-Artes e Arqueologia.”
Inspirada na peça Otelo, de William Shakespeare (c. 1603), esta pintura (raramente apresentada, devido à exiguidade de espaço do MNAC e por se valorizar a exposição de artistas nacionais), tece fortes relações com a literatura, a história e os conceitos estéticos da época. Em 1882, a Companhia Rosas e Brasão, leva-a à cena no Teatro D. Maria II, com enorme sucesso, destacando-se então as inovadoras propostas e a participação do cenógrafo Luigi Manini (1848-1936).
Pode, assim, afirmar-se, como salienta Maria de Aires Silveira, que “Muñoz Degrain sublinha um importante cruzamento de interesses, a partir de uma história verídica de paixão, do século XVI, com desfecho fatal, encenada, pintada e exibida em palco, desde o século XVII ao XIX.”
Venha conhecer a pintura e a história em torno dela, até final de agosto de 2020.
No MNAC, claro!



CICLO DE PALESTRAS. ORIENTALISMO NA ARTE E NA LITERATURA

O Serviço Educativo do MNAC organiza um ciclo de palestras em torno da exposição "Otelo e Desdémona. Nos Palcos da Paixão".

PROGRAMA


27 Maio - Otelo, o “abusador do mundo”: Uma introdução ao orientalismo
Everton V. Machado

Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa e investigador do Centro de Estudos de Comunicação e Cultura. É autor de O orientalismo português e as Jornadas de Tomás Ribeiro: caracterização de um problema (Lisboa, Biblioteca Nacional de Portugal, 2018).

O que é “orientalismo”? Pode-se avançar com uma resposta através da representação canónica do mouro tanto na peça Otelo, o mouro de Veneza (século XVII) do inglês William Shakespeare (1564-1616) quanto na pintura Otelo e Desdémona (século XIX) do espanhol Antonio Muñoz Degrain (1840-1924), confirmando a transversalidade e a perenização dos estereótipos relacionados com o Oriente.


03 Junho - Otelo e Desdémona. Nos palcos da paixão
Maria de Aires Silveira.

Curadora no Museu Nacional de Arte Contemporânea, desde 1989. Dedica-se muito especialmente ao estudo de temáticas e autores oitocentistas, e de inícios do século XX. Licenciou-se em História, e obteve o Grau de Mestre em História de Arte, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Abordando uma cena de pintura dramática, próxima de um desfecho fatal, inspirada na peça de William Shakespeare, e da autoria do pintor espanhol Muñoz Degrain, a curadora da exposição irá revelar aspectos da história desta obra, significativa pela expressividade das figuras e objectos, e reveladora de uma modernidade particular. A sua aquisição, em 1881, testemunha o bom relacionamento cultural entre Portugal e Espanha, e a doação, no ano seguinte, ao Estado português, pelo Visconde Soares Franco, valoriza uma rara atitude de sensibilidade mecenática.

24 Junho - Macau e o Orientalismo Visual Romântico de George Chinnery (1825-1852)
Rogério Miguel Puga.

Professor Auxiliar da NOVA FCSH, investigador do CETAPS e CHAM, e autor de várias obras sobre relações anglo-portuguesas e história de Macau.

A partir de alguns pressupostos dos Estudos Pós-coloniais, a nossa palestra analisa o orientalismo pitoresco do pintor romântico George Chinnery através das suas representações da Macau do século XIX, sobretudo dos topoi da dimensão sínica do território que se encontrava então sob administração portuguesa.


01 Julho – Arquitectura e orientalismo ou reflexões sobre o exótico no antigo “oriente português”
Alice Santiago Faria

Investigadora auxiliar contratada e coordenadora do grupo “As Artes a Expansão Portuguesa” no CHAM – Centro de Humanidades, FCSH, Universidade NOVA de Lisboa. Coordena, com Renata Malcher de Araujo, o projecto de investigação TechNetEMPIRE financiado pela FCT.

A escolha de um “estilo” sobre outro ou de linguagem arquitetónica para um edifício pode dever-se a inúmeros fatores e ter múltiplos significados. Em Portugal e sobretudo a sul do território de Portugal continental são bem conhecidos alguns exemplos de arquitectura exótica de influência oriental. Nesta apresentação irei discutir alguns exemplos construídos no antigo “oriente português” tentando examinar os porquês e os impactos desta relação entre arquitectura e orientalismo a “oriente”.

08 Julho - Fausto Sampaio. Traços do Oriente Imperial na Coleção do MNAC
Maria João Castro.

Investigadora académica em História da Arte Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa onde tem vindo a centrar os seus domínios de especialização na ligação da Arte com o Poder quer em relação à Viagem e aos Estudos (Pós) Coloniais, quer no que concerne à Dança. É presentemente Pós-Doc com o projeto “ArTravel. Viagem e Arte Colonial na Cultura Contemporânea” (http://www.fcsh.unl.pt/artravel).

As obras de Fausto Sampaio na coleção do MNAC são o ponto de partida para uma viagem sobre a produção plástica deste artista apelidado de “Pintor do Império”. As suas telas espelham as geografias distintas do colonialismo português mergulhando numa temática rara na arte nacional e cujas coordenadas perfazem um planisfério pictural abrangente, balizado de África a Macau, passando pela Índia e por Timor. E é a partir do Oriente – onde Fausto Sampaio chegou a viver e a abrir uma escola de artes – que se perspetivará o percurso e a obra de um artista através dos territórios longínquos e míticos d’além-mar num registo invulgar e de grande modernidade.


15 Julho – Os bárbaros do sul vistos pelo Japão (séculos XVII-XIX)
Alexandra Curvelo.

Professora Auxiliar de História da Arte Moderna e de Museologia da NOVA-FCSH e investigadora e membro da direcção do IHA, tem trabalhado a presença portuguesa na Ásia no início da Idade Moderna, com um enfoque no Japão, através da respectiva cultura material e visual. Comissariou exposições em Portugal e no estrangeiro e é autora de diversos livros e artigos científicos.

A chegada dos Europeus do Sul ao Japão em meados do século XVI foi fixada nalguns textos e pinturas japoneses contemporâneos da presença destes Ocidentais no arquipélago. Através da análise destes registos podemos percepcionar o impacto desta interacção e a progressiva mudança de atitude face a estes estrangeiros, que acabaram por ser expulsos em 1639. Cerca de 250 anos mais tarde, quando o Japão é forçado a reabrir as suas fronteiras, esse mesmo passado é revisitado, quer por via do papel desempenhado pela missão cristã e pela troca de conhecimento então geradas, quer pelo revivalismo pictórico das imagens anteriormente produzidas.


COMISSÃO CIENTÍFICA: Emília Ferreira (MNAC/IHA/FCSH/NOVA), Rogério Miguel Puga (CETAPS/FCSH/NOVA), Everton V. Machado (Universidade Católica Portuguesa), Joana d'Oliva Monteiro (IHA/FCSH/NOVA), Fátima Faria Roque (MNAC/IELT/FCSH/NOVA), Maria de Aires Silveira (MNAC).
Organização: MNAC
Local: Átrio do MNAC, Rua Serpa Pinto, nº 4.
A partir de 27 de Maio às 16h30.
Inscrições: 21 343 21 48
Limitações inerentes às medidas de segurança em vigor: máximo de 10 lugares.
As palestras serão gravadas e transmitidas via Youtube e página Facebook do MNAC










Atividades

    2020-05-27

    16h30
    17h30
    "Otelo, o 'abusador do mundo': Uma introdução ao orientalismo" por Everton V. Machado
    2020-06-03

    16h30
    17h30
    "Otelo e Desdémona. Nos palcos da paixão" por Maria de Aires Silveira.
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