Sarah Affonso ((Lisboa, 1899 - idem, 1989), Meninas, 1928, Col. MNAC Foto Arnaldo Soares. © Arquivo de Documentação Fotográfica/ DGPC
Sarah Affonso ((Lisboa, 1899 - idem, 1989), Meninas, 1928, Col. MNAC Foto Arnaldo Soares. © Arquivo de Documentação Fotográfica/ DGPC
Exposição temporária
Em setembro

MNAC - Rua Capelo

entrada: Condições Gerais

Sarah Affonso. Os dias das pequenas coisas

2019-09-12
2020-01-05
Curadoria: Maria de Aires Silveira

A exposição dedicada a Sarah Affonso (Lisboa, 1899 – 1983) é uma de duas que, neste ano em que se celebram os 120 anos do nascimento da artista modernista, recordam a sua vida e obra. Construídas de modo dialogante, numa parceria entre o Museu Nacional de Arte Contemporânea e a Fundação Calouste Gulbenkian (Sarah Affonso e a Arte Popular do Minho), as duas exposições pretendem criar uma primeira visão abrangente e problematizadora da herança artística de uma autora que, embora reconhecida e inscrita na história da arte nacional, permanece desconhecida do grande público e reduzida à imagem de mulher de Almada Negreiros.

No MNAC, a exposição Sarah Affonso. Os dias das pequenas coisas, com curadoria de Maria de Aires Silveira e Emília Ferreira, patente na Ala Capelo, de 12 de setembro de 2019 a 05 de janeiro 2020, oferecerá uma abordagem ao conjunto da sua obra. Propondo um percurso biográfico e criativo de Sarah Affonso, abordaremos a sua formação artística, e descobriremos uma artista multifacetada, com obra que vai de uma multiplicidade de registos de desenho à pintura, passando pelo bordado e que se manifesta também de modo muito particular na relação com a paisagem, intervindo e criando, paisagística e pragmaticamente, o entorno da casa da família em Bicesse (Cascais).

Última aluna de Columbano Bordalo Pinheiro, na Escola de Belas-Artes de Lisboa, Sarah Affonso parte para Paris em 1924, onde frequenta a Académie de la Grande Chaumière. Na sua segunda estada parisiense, entre 1928 e 1929, expõe no Salon d’Automne, com boa receção crítica, e trabalha num atelier de modista, executando croquis de moda, prática a que em Portugal dará continuidade na imprensa. Ilustradora (na imprensa periódica e para diversos livros de escritores nacionais, como Fernanda de Castro), mantém ao longo de várias décadas atividade como pintora, com particular destaque para o retrato. Reconhecida pelos pares e pela crítica, premiada (Prémio Amadeo de Souza-Cardoso em 1944), organizou várias exposições individuais nas décadas de 1920 e 1930. Contudo, em 1978, cinco anos antes da sua morte, a crítica Sílvia Chicó, escrevendo para um catálogo de uma exposição que reunia retratos de Sarah Affonso de 1927 a 1947, referia a mostra como “uma importante contribuição para o conhecimento de uma obra, em grande parte ignorada pelo público”, sustentando que “toda a mostra que faça sair uma obra da obscuridade, se torna relevante, num país onde a história da arte do século XX é ainda mal conhecida, e onde Sarah Affonso tem um lugar preciso.”

No Museu Calouste Gulbenkian, a exposição Sarah Affonso e a Arte Popular do Minho, patente na Galeria da Coleção do Fundador, de 4 de Julho a 7 de Outubro de 2019, com curadoria de Ana Vasconcelos, é dedicada à particular relação da artista com a arte e a cultura popular do Minho, que tão fortemente a marcou desde os anos da sua infância e adolescência passados em Viana do Castelo.

A exposição do MNAC contará com a publicação de um livro, uma coedição MNAC/Tinta da China, que reunirá vários ensaios inéditos sobre a vida e obra de Sarah Affonso, estabelecendo pontes entre as duas exposições, e reproduzindo a totalidade das obras da autora apresentadas nas duas exposições.

Haverá ainda programação de Serviço Educativo específica para ambas as exposições. A 24 de Setembro realizar-se-á também um colóquio, cujo programa será divulgado em breve, que enfatizará o diálogo entre os dois projetos expositivos, avançando com novos contributos sobre a vida e obra da artista.

 

Emília Ferreira