Concerto dos Timespine 2014
Concerto dos Timespine 2014

Jardim de Escultura

Entrada Livre

Noites de Verão no MNAC

Concertos no Jardim de Escultura

2015-07-10
2015-09-04
Curadoria: Filho Único
No seu sexto ano ininterrupto, as Noites de Verão no MNAC - Museu do Chiado regressam à área exterior do Museu, conhecida como Jardim das Esculturas onde também se situa a Cafetaria, no habitual horário das Sextas-feiras, pelas 19h30, e com entrada livre. Este ciclo de concertos produzido e programado pela Filho Único é desenhado, em congruência com o objectivo e missão desta associação cultural sediada em Lisboa e com a identidade e vocação do Museu Nacional de Arte Contemporânea que o acolhe, com o intuito de apresentar e divulgar propostas na área da música que trabalhem a partir de critérios construtivos de produção artística, que visem o desenvolvimento da arte e contenham em si um cariz de busca e de progressão estética. 

 

10 de Julho - Joe Morris

17 de Julho - Djumbai Djazz

24 de Julho - Barry Guy

31 de Julho - Yong Yong

7 de Agosto - Éme

14 de Agosto - Lorenzo Senni

21 de Agosto - Julinho Da Concertina

28 de Agosto - David Maranha & Helena Espvall

4 de Setembro - Bill Kouligas

 

no Jardim das Esculturas do MNAC

Início pelas 19h30

Entrada Livre

 

10 de Julho - Joe Morris (US)

 

Joe Morris é um dos mais importantes guitarristas do jazz e da música improvisada, facto que se tem tornado cada vez mais unânime ao longo da última década, mais de trinta anos depois do início da sua actividade pública. É dele uma linguagem profundamente informada por toda a história destas músicas, que o próprio interpreta e trabalha diariamente enquanto instrumentista e professor, sendo um muito celebrado docente já há duas décadas, e autor com obra publicada na matéria, com ‘Perpetual Frontier - the Properties of Free Improvisation’, livro da sua autoria publicado em 2013, tendo recebido óptimas críticas por colegas, jornalistas e público. Das suas colaborações regulares ao longo dos anos, destaque para o seu recentemente reemergido quarteto, com quem editou clássicos como ‘Cloud of Black Birds’ ou ‘Age of Everything’, com Mat Maneri no violino; várias colaborações ao vivo e em estúdio em trio com William Parker e Hamid Drake, ou ainda o quádruplo álbum editado conjuntamente com Anthony Braxton, figura também ela central no percurso de Morris, como de tantos outros que continuam a levar o jazz para o futuro com lucidez e engenho. O seu trabalho está particularmente cristalino, nítido e exposto na circunstância do solo, prática que manteve ao longo de todos estes anos, mas a que recentemente tem dado mais primazia. Depois de um hiato discográfico de 14 anos desde o seu ‘Singularity’, sozinho com o seu instrumento, regressa agora com ‘Joe Morris Solos Bimhuis’, gravado integralmente numa das grandes catedrais do jazz mundial, a titular BIMhuis de Amsterdão.


17 de Julho - Djumbai Djazz (GW)

 

Maio Coopé fundou o seu Djumbai Jazz corria o ano de 1999, em Lisboa, como um projecto de pesquisa intencionado a revisitar os ritmos sonâmbulizados na sua história pessoal com a sua Guiné-Bissau natal. Maio cresceu imergido na rica e diversa cultura do país, etnicamente diferenciada e com tradições populares milenares, tais como músicas cerimoniais usada em funerais, iniciações e outros rituais, originadas e preservadas especialmente pelas comunidades Balanta e Mandinga, e a comunidade insular animista que ainda resiste no Arquipélago dos Bijagós. Habituado em criança às reuniões nocturnas junto dos mais velhos, ao redor da fogueira, para ouvir histórias a serem contadas e canções cantadas, reavaliou mais tarde em idade e consciência adulta aquele poder telúrico ancestral. Djumbai Djazz centrou-se assim desde a sua incepção em estilos tradicionais guineenses como o Ngumbé, Brocxa e Djambadon, mas o repertório da banda denota a influência de outras sonoridades da África Ocidental, revelador da vontade do seu líder em oferecer uma proposta consequente com a perspectiva de Maio sobre o que lhe interessa ser a expressão de um músico imigrante africano lusófono em Lisboa na actualidade, tendo em conta a diversidade do público para o qual toca regularmente. A verdade é que estamos, felizmente, muito bem habituados a ver os Djumbai Djazz a tocar em associações culturais e recreativas contemporâneas fundamentais no ecossistema cultural da capital, como o B.Leza ou a ZDB, e nesta ocasião teremos o prazer de ver a formação composta por Maio Coopé, em voz, cabaça e percussão, Braima Galissá, na kora, e Sadjo Cassamá, na guitarra e voz, pela primeira vez no Jardim das Esculturas do MNAC.

 

24 de Julho - Barry Guy (GB)

 

Fundamental figura do jazz britânico, da improvisação europeia, da composição contemporânea, celebrado intérprete de várias outras músicas mais e menos seculares, editor, e tantos outros ofícios que foi criando por necessidade e visão. Parte da primeira geração de aprendizes da figura seminal da improvisação europeia, o músico britânico John Stevens, Barry Guy foi e tem sido, ao lado de outras figuras históricas como Derek Bailey ou Evan Parker, dos grandes e mais conscientes exploradores do que se pode fazer nos territórios novos, que todos os dias se abrem, nos interstícios e para lá das convenções no que concerne à composição e à improvisação. Criou a London Jazz Composers Orchestra no arranque da década de 1970, instituição que ainda hoje se mantém viva e vibrante. Mantém a Barry Guy New Orchestra, que tão notável trabalho tem realizado editorialmente e em palco. Faz há décadas parte de um dos mais importantes trios do jazz contemporâneo, com o supramencionado Parker e Paul Lytton, que permanece incrivelmente vivo e intrépido (cada vez mais, aliás). Contudo, e no que diz respeito mais a esta ocasião em concreto, trata-se de um dos grandes contrabaixistas vivos. O seu trabalho é de enormes riquezas melódicas, harmónicas, rítmicas, tímbricas, texturas e solistas, e ninguém questionará o território que abriu para o instrumento no campo das músicas contemporâneas. Nele, ouve-se tanto do muitíssimo que viveu e aprendeu, ao longo de um percurso que arrancou sério no princípio da adolescência, num bar proletário, onde foi aprendendo tudo o que podia com Champion Jack Dupree ou Sonny Boy Williamson, e outros lendários que por lá passavam. Uma história sem fim em música, que teima em não parar de se escrever, mais rica a cada dia que passa, deste enorme cidadão da música.

 

31 de Julho - Yong Yong (PT)

 

Yong Yong é o nome sob o qual os dois parceiros Rodolfo Brito e Francisco Silva que se conheceram na ESAD das Caldas da Rainha, agora sediados em Glasgow depois de uma tempora em Lisboa, fazem música e concretizam formas revigoradas de imaginação de a complementar, e comunicar, em apresentações públicas e na expressão online. Estrearam-se ao vivo na mensalidade Filho Único há cerca de quatro anos, onde tocaram escondidos debaixo de uma mesa revestida a cortiça trazida pelos próprios, imagem alegórica especulativa para o poder de absorção luso de influências exteriores com perspectivas de as transformar, mais do que a costela insular do ‘orgulhosamente sós’ atávico. Voltaram a mostrar novo espectáculo no OUT.FEST 2012, nas vésperas da merecida atenção que o notável longa-duração “Love” receberia, editado em cassette e vinil na londrina Night School, na linha do mundo singular de colisão e desdobramento da genealogia de música urbana electrónica que têm vindo a construir, com distintiva sedução e densidade emocional como poucos. Seguiram-se a fita “Yong Yong Meet Lord Prince ‘I’ Infinito” na Goaty Tapes e o magnífico “Greatest It's” novamente na Night School no ano passado. Realiza(v)am a sua música manipulando demais tecnologia subterrânea/subterfugiada - pedais, voz, laptop, microfonia carismática, etc. A compleição do duo no espaço, constante motivo de reflexão por parte dos artistas, é sempre nova a cada ocasião; não se surpreendam se se surpreenderem, desta feita no adequadíssimo jardim do Museu Nacional de Arte Contemporânea.

 

7 de Agosto - Éme (PT)

 

Éme editou “Último Siso” no final do Verão do ano passado, recebido com um reconhecimento crítico e público directamente proporcional e ajustado à maturação autoral patenteada. Dedicou-se nos meses que se foram sucedendo em levar o disco aos portugueses, interessados e incautos pelo país fora, numa vida de estrada nutrida por um entusiasmo e uma generosidade pela experiência da viagem e descoberta que é não só reflexo do cidadão jovem da capital naturalmente curioso que é, mas também do compositor e intérprete que quer perceber qual o país em que canta, e para quem canta, descartando mediações enviesadas e privileginado o contacto directo com as pessoas. Éme, como Mário Lopes na sua recensão crítica ao disco no Público tão precisamente qualificou, “tem o dom de saber identificar, trabalhar e adornar com precisão uma melodia”, e com a consolidação de uma banda irrepreensível para o coadjuvar ao vivo, tendo sido a mesma que com ele ensaiou e gravou as canções no estúdio de Walter Bnjamin no Alvito, com B Fachada ao leme da produção, afigura-se um futuro ainda mais auspicioso para ele e para quem o começou a ouvir depois de convencido do seu real valor. Regressa, portanto, ao Jardim das Esculturas depois da actuação há um par de anos, agora acompanhado de Júlia Reis (Pega Monstro) na bateria, Lourenço Crespo (Iguanas) nos teclados e Miguel Abras (Putas Bêbadas) no baixo.


14 de Agosto - Lorenzo Senni (IT)

 

Lorenzo Senni é um músico e produtor italiano que se tem afirmado nos últimos anos como um investigador dos mecanismos e das peças da engrenagem que compõe o género da música de dança electrónica, apresentado resultados em música original que traduzem as suas ideias e proposições sobre o assunto, principalmente depois do lançamento do seu disco “Quantum Jelly” na Editions Mego em 2012. Cunhando o termo “Pointillistic Trance” para descrever a sua perspectiva e abordagem no referido álbum, a música de Senni é uma aposta na desconstrução da cultura e estética rave vivida a partir do dealbar da década de 90 na Europa e Reino Unido, com vista a uma apropriação e a uma recontextualização alicerçada nos critérios conceptuais de ‘isolamento’ e ‘repetição’ de certos elementos narrativos da música que estava no centro e, durante alguns anos, em espantosa progressão estética livre, deste movimento cultural de juventude. Com o sucessor “Superimpositions”, lançado no ano passado na Boomkat Editions, a fórmula ganhou ainda maior consistência e as suas vinhetas taxidérmicas dos crescendos eufóricos isolados das faixas de dança originais maturaram para peças panorâmicas e aurais de proporções e volumes funcionais. Senni é também gestor do selo editorial Presto!? Records, tendo no seu catálogo discos de artistas como Florian Hecker, Carsten Holler, DJ Stingray, EVOL ou Marcus Schmickler, entre outros, e tem composto música para cinema e teatro, destacando-se a sua banda-sonora para o premiado filme "Da Vinci" de Yuri Ancarani, mostrado na 55ª Bienal de Veneza.

 

21 de Agosto - Julinho da Concertina (CV)

 

Julinho da Concertina nasceu em Piloncan, concelho da Calheta de São Miguel, ilha de Santiago, Cabo Verde, há quase 60 anos, e desde cedo descobriu a paixão pela música e pela concertina, instrumento que escolheu e afinou a seu jeito para, ao longo destas décadas, se fazer acompanhar em palco a tocar as mornas, coladeras e especialmente o funaná da sua terra natal. Emigrou para Portugal um ano antes da Revolução de Abril e vive actualmente no bairro da Quinta da Lage, na Falagueira, onde ainda hoje ocupa uma boa parte do seu tempo a trabalhar numa horta urbana, depois de uma vida passada entre as jornas de sol a sol nas alfaias agrícolas, e o fole e os teclados da sua concertina. “Vivi, quase sempre, da música. Mas os cachets foram rareando. Toquei ao lado de muitos músicos afamados. Participei em concursos com bons resultados. Mas esta horta é uma grande ajuda para a família", dizia ao jornal diário online cabo-verdiano A Semana, aquando de uma visita para uma peça sobre si há cerca de 3 anos. Com um vasto reportório, com peças da sua autoria e temas de outros compositores, diz guardar a mágoa de não ter sido convidado para tocar para o grande público em Cabo Verde, até porque, afiançava à mesma entrevista, antes dos Ferro e Gaita e outros grupos cuja carreira atingiu patamares de reconhecimento e sucesso notáveis, era ele e outros da sua geração que impulsionavam a disseminação do funaná na sua terra e na diáspora cabo-verdiana. Nesta ocasião feliz nas Noites de Verão no MNAC, Julinho da Concertina far-se-á acompanhar de Nirr Paris na bateria e António Tavares no ferrinho e voz.


28 de Agosto - David Maranha & Helena Espvall (PT/SE)

 

David Maranha e Helena Espvall têm vindo a colaborar com frequência desde que Helena participou em “Marches of the New World”, albúm marcante na discografia de David editado em 2007, sendo evidente que a parceria conheceu novos desenvolvimentos a partir do momento que Helena escolheu Lisboa para viver há cerca de um par de anos. Na vida do recentemente extinto espaço alternativo na Cave do nº 211 da Avenida da Liberdade, David promoveu inúmeros encontros entre músicos da cidade e outros em trânsito temporário para, em formações variáveis, ajudar a definir uma comunidade de performers e público interessados na busca actual de novas formas de expressão na música improvisada, sendo Helena uma das figuras centrais desta dinâmica, e com certeza contribuído para a produção de “Sombras Incendiadas”, o inspirado disco em duo lançado este ano no selo suíço three:four records.

Helena é uma violoncelista sueca que operou durante largos anos na Costa Este dos Estados Unidos, tendo-se notabilizado como uma das vozes dos Espers, apostados há altura numa reactualização das formas folk anglo-saxónicas. Reconhecida como uma improvisadora altamente melódica, numa procura incessante pelas possibilidades da frase num âmbito pós-clássico e telúrico, entre trabalhos a solo regulares destacam-se dois discos em duo com o mítico Masaki Batoh, líder dos Ghost (ambos pela Drag City), e há ainda a ter em conta o seu contributo regular para artistas e bandas em digressão como foram os casos de Vashti Bunyan, Damon and Naomi ou Marissa Nadler.

David Maranha é um explorador intrépido das potencialidades do som contínuo, do silêncio, do volume, do espaço, da acústica e da arquitectura sonora, quer nos Osso Exótico quer no seu percurso a solo, apresentado-se regularmente ao vivo com outros músicos que convida para o ajudarem a concretizar as suas composições abertas. Para além de músico, especialmente versado em orgão elétrico e violino amplificado, activo desde o final da década de 80 e com uma discografia profícua, tem nos últimos anos exposto em galerias comerciais e espaços independentes o seu trabalho em artes visuais, sobretudo através de objectos escultóricos e instalações.

 

4 de Setembro - Bill Kouligas (GR)

 

Bill Kouligas é um músico, designer e DJ a operar entre Nova Iorque e Berlim. A partir de 2006 iniciou actividade pública usando o nome Family Battle Snake, tendo lançado acima da vintena de edições em vinil, cassette e cdr, incluindo projectos colaborativos com outros músicos da há altura virtuosa comunidade subterrânea de noise experimental em diálogo entre os dois lados do Atlântico, território aliás que palmilhou generosamente a tocar ao vivo. Fundador e editor do selo PAN, teve um papel crucial, a par da consolidação da influência de revistas online como a Fact, da distribuidora Boomkat e do circuito europeu emergente de festivais de músicas electrónicas conceptualmente engajadas, na reconfiguração recente das percepções do que são os campos da teoria e prática do avant-garde e da música electrónica de dança. Com uma visão obstinada e coalescida das músicas psicadélica, composição electroacústica, industrial, ambient, house, techno, foi paulatinamente construindo um catálogo que tem vindo a cartografar as renovadas avenidas lexicais de expressão sonora imbuídas de arrojo e desafio propostas por artistas novos e não tão novos de idade e currículo, a quem foi proporcionando uma infraestrutura, nalguns casos pela primeira vez, oferecendo uma assertiva perspectiva curatorial no processo. Depois de muitos anos a produzir e apresentar ao vivo música experimental sob diferentes pseudónimos, entra agora numa nova etapa criativa em que irá apresentar um novo concerto de electrónica manipulada ao vivo, indubitavelmente consubstanciado pelo seu aguardado primeiro longa duração em nome próprio a ser lançado no Outono.

Apoios

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