Kurt Schwitters, Ohne Titel (Speckgummi), 1925
Kurt Schwitters, Ohne Titel (Speckgummi), 1925

MNAC

entrada: Condições Gerais

Furor Dada

Colecção Ernst Schwitters

1999-01-28
1999-04-04
Curadoria: Markus Heinzelmann / Lola Schwitters / Bengt Schwitters
A colecção Ernst Schwitters, que o Museu do Chiado exibe, integrada numa longa itinerância, reveste-se de especial interesse no contexto português, ja que apresenta, pela primeira vez, um extenso conjunto de obras determinantes para o desenvolvimento das vanguardas no norte da Europa, durante as décadas de 20 e 30. Paralelamente, um núcleo significativo de trabalhos de Kurt Schwitters, seu pai, é também mostrado.

De facto Kurt Schwitters foi ele mesmo coleccionador dos trabalhos dos seus colegas. Por razões determinadas essa colecção foi vendida e, posteriormente, desde 1980, o seu filho foi construindo pacientemente uma colecção centrada nos círculos de influência e acção do pai. A colecção traça um percurso que é o das complexas e diversas relações entre as vanguardas que se sucederam ao Cubismo e desenvolveram contra e para lá dos retornos à ordem, que no sul europeu foram dominantes. Recentemente o Museu do Chiado teve oportunidade de apresentar um panorama espanhol deste período (De Picasso a Dali. As raízes da vanguarda espanhola 1907-1936), a par da situação portuguesa, revelada pela colecção permanente do museu, e a este respeito, a presença esmagadora dos retornos à ordem, em idêntico período, na Península ibérica, não deixa duvidas.

O percurso biográfico de Kurt Schwitters confunde-se com alguns movimentos históricos de extrema importância na construção da modernidade internacional e a consciência plena do facto, tera sido um importante ponto de partida para a organização e sentidos desta colecção aprofundada e periodologicamente bem delimitada. Assim  os vários círculos como o da revista e galeria Der Sturm, a Internacional Construtivista, o Construtivismo Russo, a Abstraction-Création, mais do que contactos fortuitos de uma errância pessoal, configuram uma sucessão histórica cujos particulares elos, forjados pelas relações do pai Kurt e tematizados  pela colecção do filho Ernst, encontram, neste conjunto, um entendimento específico de particular relevância sobre os caminhos da modernidade. A sua complexidade e diversidade e assumida através do dialogo entre diversas atitudes e movimentos plásticos ligados a abstracção. O papel fulcral que a colagem desempenhou e de que Kurt Schwitters foi um expoente do seu desenvol­vimento, é nesta colecção e exposição tematizador, quando não mesmo desconstrutor, dos sentidos transcen­dentais conotados com muitas práticas da arte abstracta. No fundo a relação entre o dadaísmo genuíno de Kurt Schwitters, associado a colagem e montagem - consciente dos "novos media na pintura", de que Richard Hülsenbeck falava no Primeiro Manifesto Dada Germânico -, com o Construtivismo, que procura extrair sentidos das técnicas que elaboram o objecto artístico, enquanto realidade autónoma, potencia um núcleo de questões centrais às vanguardas.

O contexto de novos media e técnicas, em que a colagem e a montagem se tornam processos relevantes, sobrepõe à noção tradicional de composição uma articulação de esquematismos inerentes aos contextos sociais de produção. Este aspecto vem redimensionar a ideia de autonomia da obra de arte para que a abstração tende. Inscreve-a num contexto histórico e é a sua própria consciência. Neste sentido a viagem de Kurt Schwitters pelos construtivismos tera sido de alguma cumplicidade e amplificação de questões comuns.

Um conjunto de fotografias de Ernst Schwitters é também exposto. Ernst Schwitters manteve uma longa amizade com László Moholy-Nagy, e tendo sido fotografo de profissão, desenvolveu com este técnicas e experiências deveras interessantes e, por vezes, pioneiras. O olhar do fotógrafo tera sido determinante na orientação das relações  e questões desta colecção.

Outro olhar igualmente importante sobre esta colecção e que permitiu estudá-la e organizá-la numa exposição terá sido o de Marcus Heinzelmann, o seu comissário a quem gostaria de expressar o louvor pelo magnifico trabalho realizado e absoluta disponibilidade para connosco a pensar para o publico português. A Ulrich Krempel, director do Sprengel Museum Hannover, vão os mais vivos reconhecimentos do entusiasmo com que acolheu esta iniciativa. A  Holger  Reenberg,  do  Arkem  Museum  for Moderne Kunst, quem me apresentou pela primeira vez esta fantástica colecção, em Copenhagem, queria manifestar o meu reconhecimento. A Maria Jesús Ávila e à Amélia Godinho, ficará a dever-se tudo o que tornou possível esta exposição em Lisboa, sem esquecer a imprescindível participação de toda a equipa do Museu do Chiado. Raquel Henriques da Silva, directora do Instituto Português de Museus, foi a todos os títulos entusiasta, fraterna e compre­ensiva durante a realização deste projecto.
O apoio prestado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Alemanha foi importante, pelo que deixo aqui o meu reconhecimento.
O patrocínio da TMN foi um notável exemplo de participação cívica e cultural de uma empresa a que gostaria de expressar o mais vivo reconhecimento.
Mas é sobretudo para a memória de Ernst Schwitters colec­cionador, que sua mulher Lola Schwitters e seu filho Bengt Schwitters souberam preservar, que vão os nossos mais profundos agradecimentos.


Pedro Lapa
Museu do Chiado

Em Exibição

.

2022-11-25
2022-12-30
MOSAICO | Uma imaginação coletiva
Exposição Coletiva

Echoes of Nature

Manuela Marques

2022-10-21
2023-01-29
Curadoria: Emília Tavares
Exposição no âmbito da programação da Temporada Portugal-França 2022
Exposição individual

IMAGO LISBOA Photo Festival

Harri Pälviranta

2022-10-07
2023-01-08
O IMAGO LISBOA Photo Festival é um acontecimento marcante no panorama da fotografia nacional e internacional. Este ano com a mostra “Battered”; “Choreography of Violence”; “News Portraits”
Exposição individual

Multiplicidade

TRIENAL DE ARQUITETURA DE LISBOA

2022-10-02
2023-01-08
Curadoria: Tau Tavengwa, Vyjayanthi Rao
A cada três anos, a Trienal de Arquitectura de Lisboa realiza um grande fórum de debate, reflexão e divulgação que cruza fronteiras disciplinares e geográficas.
Exposição Coletiva

PORQUÊ?

2022-09-23
2023-01-08
Curadoria: Ana Matos
PORQUÊ? A ARTE CONTEMPORÂNEA EM DIÁLOGO COM O PENSAMENTO DE JOSÉ SARAMAGO
Exposição temporária

Veloso Salgado

de Lisboa a Wissant. Itinerário de um pintor português

2022-07-02
2022-12-15
Curadoria: Maria de Aires Silveira, MNAC e Elikya Kandot, Directora do museu de Boulogne-sur-mer
Exposição Veloso Salgado de Lisboa a Wissant. Itinerário de um pintor português - integrada na programação da Temporada Portugal-França (Cruzada)
Fora de Portas

Desde 1911

2022-05-26
2024-04-01
Uma intervenção que celebra os 110 anos do MNAC.
111 anos

Maria Eugénia & Francisco Garcia

Uma Coleção

2021-11-18
2022-12-31
Curadoria: Maria de Aires Silveira, Cristina Azevedo Tavares e Raquel Henriques da Silva
O MNAC expõe a coleção de Maria Eugénia e Francisco Garcia
Exposição temporária