Veloso Salgado, Amor e Psyché, 1891
Veloso Salgado, Amor e Psyché, 1891

MNAC

entrada: Condições Gerais

Veloso Salgado: 1864-1945

Veloso Salgado

1999-07-01
1999-09-26
Curadoria: Rui Afonso Santos
A retrospectiva da obra de Veloso Salgado, que agora se inaugura, vem iniciar a área de investigação e de exposições temporárias em torno dos protagonistas do século XIX português que, desde a reabertura do Museu do Chiado, não tinha ainda merecido a necessária atenção. De facto, muitos destes nomes têm sido alvo de uma forma mais ou menos científica de inúmeras exposições e de um gosto dominante que voluntária ou involuntariamente se contrapôs aos movimentos que atravessaram o século XX. A excessiva visibilidade, com a consequente margem de popularidade e reprodutibilidade, a que estiveram sujeitos muitos daqueles artis­tas - basta pensar nos casos de Silva Porto, Malhoa ou mesmo Columbano -, terá configurado um modelo estético que, muitas vezes afastado da complexidade da obra dos próprios artistas, se inscreveu como dogma naturalista que estes não rejeitaram mas a ele se não cingiram.
Para além dos desacertos com a modernidade internacional nascente e que os regressos dos pensionatos de Paris para um Portugal ignorante iam escavando, já amplamente estudados pelo magistral trabalho historiográfico de José-Augusto França, uma deriva originada por influências diversas e até de outras tradições pictó­ricas terá sido relevante no percurso de alguns artistas do fim do século XIX, como são os casos de Veloso Salgado, por um lado, ou de António Carneiro, por outro e entre outros. O Simbolismo, que plasticamente não foi um movimento organizado em Portugal, teve, no entanto, algumas manifestações episódicas, quer de origem académica quer de teor mais experimental, susceptíveis de uma investigação e que só a profundidade de estudos monográficos pode aclarar, revelando assim a extensão e limites da abordagem que os artistas portugueses fizeram deste fenómeno.
A presente exposição comissariada por Rui Afonso Santos é um verdadeiro passo nesse sentido. Ela permite-nos descobrir um percurso bem mais amplo que o confinamento tardo-naturalista a que o artista foi votado nos poderia fazer crer. No eru­dito ensaio redigido para este catálogo temos a oportunidade de acompanhar o desenvolvimento de uma obra a par da receptividade contemporânea que lhe devolve um esclarecedor contexto das condições de produção. Junta-se a este ensaio outro, da autoria de Cristina Azevedo Tavares, que traça para a obra de Veloso Salgado uma linha de continuidade e comprometimento com a tradição tardo-naturalista de que o artista foi, aquém de todas as experiências marginais, um empenhado agente no curso da primeira metade do século XX.
O interesse demonstrado pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa na pessoa do seu director, o Professor António Manuel Bensabat Rendas, do Doutor Luís Silveira Botelho, do Engenheiro Luís Elias Casanovas e da Arquitecta Teresa Nunes da Ponte veio permitir desdobrar esta exposição num segundo volante e transformar a Sala dos Actos Grandes, para a qual Veloso Salgado realizou um extenso conjunto de pinturas, num espaço expositivo onde, entre outras obras, se podem observar, de modo inédito, os estudos em confronto com as realizações defi­nitivas. A todos eles gostaria de expressar a minha profunda gratidão pelo dedicado interesse com que deram curso a esta iniciativa. O trabalho de coordenação que tomou possível esta exposição e este catálogo ficará a dever-se a Maria de Aires Silveira a quem manifesto os mais vivos agradecimentos. Ao Instituto Português de Museus e à pessoa da sua directora, Doutora Raquel Henriques da Silva, bem como à Divisão de Documentação Fotográfica, gostaria de realçar o reconhecimento de uma colaboração imprescindível para o sucesso deste projecto.
A Maria da Conceição Veloso Salgado ficar-se-á a dever a preservação da memória de seu avô e a paciente disponibilidade para os esclarecimentos que em muito ajudaram a realizar este projecto.


Pedro Lapa 
Director do Museu do Chiado

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