Na eira

, 1861

Tomás da Anunciação

Óleo sobre tela
123 × 193 cm
assinado
Inv. 25
Historial
Doação de Jorge Yaul à Academia de Belas-
Artes em 1911. Integrado no MNAC, nesta data.

Exposições
Londres, 1859; Lisboa, 1947; Lisboa, 2010.

Bibliografia
MACEDO, 1955, 5, p.b.; MACEDO, 1961, XI, p.b.
Esta paisagem rural, de 1861, realizada num período de grande convivência com Cristino da Silva, concretiza a opção sugerida por Garrett, ainda em 44, no sentido do registo dos costumes tradicionais do país. A importância de observação do povo e dos seus quotidianos inscreve-se nas intenções desta geração, que pretende captar as especificidades locais e o seu carácter genuíno. A paisagem, recolhida do “natural”, apresenta uma actividade real e o movimento laborioso dos bois e do camponês, observados naquele lugar. Apesar de a luz que ilumina e destaca, em “óculo” romântico, o trabalho na eira, ser cenográfica ela é contraponto aos efeitos reais de luz no tratamento do céu. A paisagem assume-se na sua grandeza e numa amplitude bem dimensionada, acentuada pela proximidade da situação, descrita pormenorizadamente. O impacto causado por esta imagem de ruralidade, afastado de uma ideia interpretativa da natureza, antecipa e condiciona as propostas naturalistas da geração seguinte perante a narratividade primordial desta cena de costumes.

Maria Aires Silveira