Busto de polaca

, 1921

Francisco Franco

Bronze
38 × 24 × 28,5 cm
assinado
Inv. 1562
Historial
Fundição financiada pelo Estado em 1953, a partir de gesso original depositado no MNAC – Museu do Chiado pela Academia Nacional de Belas-Artes.

Exposições
Paris, 1922; Lisboa, 1923, 157 (gesso); Lisboa, 1957, 1, p.b.; Bruxelas, 1958; Lisboa, 1966, 23; Porto, 1998, 112, cor; Lisboa, 2002; Lisboa, 2005.

Bibliografia
5 Independentes, 1923, 157 (gesso); MACEDO, 1953, 6; MACEDO, 1956, 3, p.b.; 1.ª Exposição Nacional de Escultura (…), 1957, 1, p.b.; Exposição Retrospectiva (…), 1966, 23; FRANÇA, 1974, 257, p.b.; FRANÇA, 1984, 58; GONÇALVES, 1986, 126, cor; SILVA (et al.), 1994, 172, cor; ALMEIDA-MATOS, 1998, 112, cor; FIGUEIREDO, 2005, 28; NUNES, 2005, 310.
Esta foi uma das primeiras peças que o artista realizou em Paris, quando finalmente obteve a sua bolsa, depois de uma primeira, conjuntamente com o pintor Dordio Gomes, em 1911, ter sido de súbito interrompida por razões alheias. O gesso foi a sua prova de pensionista do prémio Valmor. Outra escultura deste período é o Busto de Manuel Jardim todavia com um tratamento mais radical. O despojamento de algumas marcas rodinianas é já um facto, mas o retrato ainda está presente nas características anatómicas deste rosto. Os papos salientes e descaídos sob as pálpebras, o perfil do nariz ou a diferença entre o olho direito e o esquerdo, criadora de uma assimetria expressiva, são marcas que assim o individualizam. Algumas tensões musculares, como é o caso da testa ou da boca, conferem uma interioridade expressiva e simultaneamente contida que, por outro lado, não está alheada de certos valores rodinianos. Também o claro-escuro, de origem pictórica, bem como a textura do cabeloou a modelação do rosto, transportam ainda uma memória naturalista. Mas é na superfície texturada ou no fragmentado da base, elidindo a clavícula direita, e que sustenta um pescoço extremamente elevado, entendido já plasticamente como volume que sustenta a cabeça, que uma modernidade classicizante ainda desconhecida da escultura portuguesa se insinua.

Pedro Lapa