Alfredo Keil, Sem Título [Cleyde Cinatti e Alfredo Keil] , 1877
Alfredo Keil, Sem Título [Cleyde Cinatti e Alfredo Keil] , 1877

Piso 2 - Sala Dos Fornos

entrada: Condições Gerais

Dilema de ser e parecer

o retrato na pintura, fotografia e escultura (1850-1916)

2020-11-18
2021-01-14
Curadoria: Maria de Aires Silveira, Emília Tavares
Esta exposição apresenta, pela primeira vez, um diálogo entre a pintura, a fotografia e escultura, na segunda metade do século XIX, a partir da coleção do MNAC e da coleção do Arquivo de Documentação Fotográfica da DGPC.

Esse diálogo é realizado a partir de um dos mais tradicionais géneros artísticos — o retrato —, já que a invenção da fotografia em 1839, introduziu de forma significativa um novo paradigma perante a representação do sujeito. Os estúdios comerciais de retrato vão afirmar-se ao longo deste período, impondo-se a uma sociedade burguesa ávida de novidade e de instrumentos de consagração da sua importância social.

A fotografia veio dar visibilidade a uma sociedade do parecer, de forma massificada e verista, que inevitavelmente se confrontaria com os conceitos metafísicos da pintura de retrato. Por isso, ao longo desta exposição, propomos uma visão altercada entre os modelos mecânicos e veristas da representação do sujeito e a sua estética interpretativa desde o romantismo ao naturalismo.

Nesse diálogo encontramos uma evidente transferência de influências, já que o retrato fotográfico foi compilado a partir das referências interpretativas pictóricas, mas a pintura também se reformulou perante o novo gosto realista fotográfico do detalhe e da verosimilhança.

Através de seis núcleos, abordam-se algumas das correntes e conceitos mais relevantes que marcaram a estética do retrato, e de que modo a fotografia, a pintura e a escultura foram evoluindo a sua estética e definindo novos modelos artísticos, que foram também representativos das mudanças sociais da arte. Transparece a sedução pela modernidade, através de “fórmulas naturalistas da "arte moderna”, como comentara Ramalho Ortigão, em 1883.

Entre o ser e o parecer, entre a verdade na arte e a vontade de introduzir o realismo como nova expressão artística, estabelece-se o dilema, a partir da afirmação do artista com entusiasmo inovador na observação do autorretrato, do drama humano e retrato da natureza, em apontamentos no intimismo, até à realização do que o espírito sente, em retratos captados sob a influência do sujeito e orgulhosos dos seus “inconscientes imortais”.

Emília Tavares
Maria de Aires Silveira

Atividades

    2020-12-11 16h00
    What’s in a Picture? A propósito do Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. Palestra com Rogério Puga
    2020-12-18 13h00
    Visita guiada com as curadoras
    2021-01-13 13h00
    Visita guiada com as curadoras
Ver todas as atividades 3

Em Exibição

Emotional Encounters

Aline Motta, Sofia Yala, Yassmin Forte

2025-11-21
2026-02-01
Curadoria: Elina Heikka
Esta exposição reúne trabalhos de Aline Motta, Sofia Yala e Yassmin Forte. Estes projetos têm em comum o facto de partirem de antigas fotografias de família que as artistas encontraram.
Exposição Coletiva

A Ascensão do Mont Ventoux

Manuel Valente Alves

2025-10-26
2026-02-16
Curadoria: Lúcia Saldanha
Fotografias, desenhos e pinturas, de Manuel Valente Alves que desenvolvem um diálogo poético com a carta homónima de Petrarca (Ascensus Montis Ventosi), escrita em 1336.
Exposição temporária

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2025-10-16
2026-02-01
Curadoria: Susana Lourenço Marques, Emília Tavares
Esta exposição, em parceria com o Museu do Porto, apresenta a obra de três fotó­grafas amadoras - Margarida Relvas, Mariana Relvas e Maria da Conceição de Lemos Magalhães - desenvolvida em Portugal entre 1860-1920.
Exposição temporária

Mily Possoz. Uma Poética do Espaço

2025-10-01
2026-02-01
Curadoria: Emília Ferreira
A exposição Mily Possoz. Uma Poética do Espaço prossegue a via de investigação dos artistas modernistas menos estudados e presentes nas coleções do MNAC e do Millennium bcp
Exposição individual

Impressões Digitais. Coleção MNAC

2024-12-12
2026-12-30
Curadoria: Ana Guimarães, Emília Ferreira, Maria de Aires Silveira e Tiago Beirão Veiga
Constituída por obras fundadoras da historiografia da arte portuguesa contemporânea, de 1850 à atualidade, a coleção do MNAC guarda vários tesouros nacionais.
Exposição Permanente

Desde 1911

2022-05-26
2026-05-26
Uma intervenção que celebra os 110 anos do MNAC.
114 anos